Era uma tarde de quarta-feira, e eu estava sentado no meu café favorito em Lisboa, o “Café do Mercado”, perto do Cais do Sodré. O som das máquinas de café e as conversas animadas ao redor criavam um burburinho que, por si só, já me fazia sentir anónimo. Mas, naquele momento, a minha tranquilidade foi quebrada por um toque no meu telemóvel. Era uma mensagem de uma fonte confidencial, alguém que eu havia conhecido durante uma investigação jornalística sobre corrupção numa câmara municipal. O assunto era delicado: documentos que provavam desvios de fundos públicos. Eu sabia que, se aquilo caísse nas mãos erradas – um hacker, um espião corporativo ou até mesmo um funcionário da operadora –, a minha fonte poderia estar em perigo, e eu, como jornalista, perderia a confiança de quem me procura para proteger segredos.

Até então, eu usava aplicativos de mensagens comuns, mas sempre com um nó no estômago. Já tinha ouvido histórias de pessoas que tiveram as suas conversas expostas por causa de falhas de segurança, como aquele caso famoso de uma empresa de telecomunicações que vazou milhões de registos. Eu precisava de algo mais. Foi quando um colega, o Rui, me sussurrou, enquanto tomávamos um copo de vinho no Bairro Alto: “Experimenta o message.fyi. É como ter um cofre indestrutível para cada mensagem.”

Naquela noite, em casa, no meu pequeno apartamento em Alfama, decidi testar. Abri o site message.fyi no meu computador, sem instalar nada. A interface era minimalista, quase desconcertante. Não pedia nome, email, nem número de telefone. Apenas gerava uma chave única para cada conversa. “Isto é mesmo seguro?”, pensei, com o ceticismo de quem já viu muitas promessas vazias. Mas decidi dar o benefício da dúvida.

Uns dias depois, combinei com a minha fonte, a “Maria” (nome fictício, claro), que usaríamos o message.fyi para trocar os documentos. Ela, que trabalhava na contabilidade da câmara, estava apavorada. “O meu chefe desconfia de tudo. Se souber que estou a falar contigo, estou despedida”, disse ela, num sussurro, ao telefone. Eu expliquei-lhe como funcionava: “Cada mensagem é encriptada de ponta a ponta. Nem o próprio message.fyi consegue ler o que escrevemos. E, quando a leres, a mensagem desaparece para sempre. É como fumo.”

Na primeira troca, enviei-lhe um link para uma sala de chat temporária. Ela entrou, e começámos a conversar. Lembro-me de escrever: “Os documentos estão seguros? Podes enviar o PDF?”. Ela respondeu, e, no momento em que cliquei para ler, a mensagem sumiu. Senti um alívio imediato, mas também um frio na barriga – e se eu perdesse algo importante? Mas a verdade é que aquilo me obrigava a estar presente, a ler com atenção. Não havia rasto.

Durante duas semanas, usámos o message.fyi para tudo: desde a partilha de ficheiros até à confirmação de encontros. Certa vez, estávamos no comboio para Sintra, e eu precisava de lhe enviar um número de telefone de um contacto. O Wi-Fi público era uma autêntica armadilha – qualquer hacker podia interceptar o tráfego. Mas com o message.fyi, a encriptação era tão forte que até a NSA teria dificuldade. Ri-me sozinho, pensando na ironia: estávamos a usar uma ferramenta gratuita, sem rasto, enquanto o governo gastava milhões a tentar espionar.

Houve um momento particularmente tenso. A Maria enviou-me um ficheiro com o nome “Relatório_2024.pdf”. Quando abri, vi que era um documento interno que provava que a câmara estava a usar fundos da saúde para pagar jantares de luxo. O meu coração batia forte. Se aquilo vazasse, teria consequências. Mas, ao mesmo tempo, sabia que a nossa conversa estava protegida. Não havia servidores a guardar logs, não havia metadados. O message.fyi prometia “zero logs” e, até onde eu podia ver, cumpria. Cada mensagem era como uma carta escrita em areia, levada pela maré.

O culminar da história foi quando publiquei a reportagem, baseada naqueles documentos. A câmara negou inicialmente, mas as provas eram irrefutáveis. O escândalo rebentou. E, dias depois, soube que a Maria foi chamada para uma reunião com o chefe, que a interrogou sobre a origem da fuga. Ela, nervosa, negou tudo. Mas, secretamente, sabia que não havia forma de a ligarem a mim. As nossas conversas tinham desaparecido. O message.fyi não guardava registos de IP, nem timestamps. Era como se nunca tivéssemos falado.

Hoje, enquanto escrevo isto, ainda uso o message.fyi para comunicações sensíveis. Não sou paranoico, mas vivo num mundo onde a privacidade é um luxo cada vez mais raro. Empresas como a Google e a Meta lucram com os nossos dados; governos espiam-nos; hackers atacam-nos. E, no meio disto, uma ferramenta simples, sem publicidade, sem recolha de dados, tornou-se a minha âncora.

Se tu, que lês isto, já sentiste o medo de que as tuas palavras sejam lidas por olhos indesejados – seja um patrão curioso, um ex-parceiro vingativo ou um cibercriminoso –, experimenta o message.fyi. Não precisas de confiar em mim. Confia na matemática. Confia na encriptação. Porque, no final do dia, as nossas palavras são as únicas coisas que realmente nos pertencem. Protege-as.