Meu nome é Renata, sou ativista de direitos humanos no Brasil há mais de dez anos. Trabalho com comunidades ribeirinhas da Amazônia e denuncio o desmatamento ilegal, a grilagem de terras e a violência contra defensores ambientais. Em 2024, comecei a receber ameaças diretas após coletar provas de que uma grande madeireira estava financiando milícias para intimidar lideranças comunitárias. Eu precisava compartilhar essas provas com jornalistas investigativos e com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, mas qualquer mensagem que enviasse poderia ser monitorada. Sabe-se que órgãos de inteligência estaduais e federais têm acesso a dados de WhatsApp, Telegram e até e-mails criptografados, muitas vezes por decisões judiciais secretas. Além disso, o simples ato de enviar um arquivo já cria metadados — quem enviou, para quem, quando, de onde. E esses metadados podem incriminar não só a mim, mas também as fontes que me confiam suas histórias.
Foi quando uma jornalista amiga, que já havia sofrido vigilância, me sussurrou durante um encontro presencial: "Renata, usa message.fyi. Não deixa rastro. Mas tem que ser no modo certo." Naquela noite, pesquisei sobre o serviço. message.fyi é uma plataforma simples: você escreve sua mensagem (ou cola um texto longo), define um limite de visualizações (normalmente 1), pode adicionar uma senha e um tempo de expiração. O sistema gera um link único, do tipo https://message.fyi/view/abc123. A parte essencial é que a descriptografia acontece localmente no navegador, usando um fragmento da URL (aquilo que vem depois do #), e esse fragmento nunca é enviado para o servidor. Ou seja, nem o dono do site consegue ler o conteúdo. E depois que o link é acessado o número de vezes que você definiu, a mensagem é permanentemente apagada dos servidores. Sem logs, sem backups, sem nada.
Testei com um recado bobo: "O encontro será na padaria amanhã às 10h". Coloquei senha "flor123", validade de 1 hora. Enviei o link para meu próprio e-mail descartável, abri em outro dispositivo. Funcionou. Atualizei a página: 404. Respirei aliviada. Mas o teste mais importante veio duas semanas depois, quando precisei enviar para um repórter do The Intercept Brasil um dossiê com 47 páginas de fotos e transcrições de depoimentos sobre a madeireira. O arquivo era grande demais para colar como texto. Então usei uma estratégia: subi o material criptografado em um serviço de nuvem temporário (com senha forte), e enviei pelo message.fyi apenas a localização do arquivo e a senha de descriptografia. Fiz questão de dividir as informações: o link do message.fyi com o conteúdo "Está em: https://tempfile.com/xyz123. Senha: H&kL9@qR2". A validade do message.fyi foi de apenas 30 minutos. O repórter estava online no momento combinado, abriu o link, leu as instruções, baixou o arquivo. Trinta segundos depois, o link do message.fyi já estava morto. O arquivo temporário foi deletado automaticamente uma hora depois. Rastro zero.
O perigo real aconteceu quando tentei enviar uma mensagem similar para um advogado internacional que trabalhava com a OEA. Sem querer, usei meu celular pessoal, que acredito estar sob vigilância (mais tarde descobri que um software espião chamado Pegasus estava instalado em vários dispositivos de ativistas no país). Escrevi a mensagem no message.fyi: "Reunião na quinta com as testemunhas, local a confirmar por telefone." Coloquei senha e enviei o link por SMS para o advogado. Porém, antes que ele pudesse abrir, o link foi acessado de um IP estranho. Como eu sei? Porque o message.fyi não envia notificações de leitura, mas eu havia combinado com ele: "Assim que você abrir, me avise por um canal diferente." Ele não avisou. Dez minutos depois, recebi uma ligação silenciosa de número bloqueado. Não atendi. Horas depois, o advogado me ligou de um telefone público: "Renata, alguém tentou abrir o link antes de mim. A senha estava comprometida? Como sabiam?" Só podia ser que meu SMS havia sido interceptado — algo trivial para agências de inteligência. Eles tinham o link completo (incluindo o fragmento #) porque o SMS mostra todo o texto. Mas não tinham a senha, porque a senha não estava no SMS — havíamos combinado a senha em uma conversa presencial três dias antes. Graças a isso, o espião que acessou o link viu uma mensagem ilegível? Não exatamente. No message.fyi, se você tem o link mas não a senha (quando a senha está ativada), o site pede a senha. Tentativas erradas não revelam conteúdo. Mas pior: depois de algumas tentativas ou de um tempo, a mensagem se autodestrói. No nosso caso, o espião tentou umas três senhas genéricas, errou, e o próprio sistema de proteção (somado à validade curta de 1 hora) fez o link expirar. Quando o advogado legítimo finalmente tentou acessar usando a senha correta, já não havia mensagem. Foi um alerta: eu precisava de segurança ainda maior.
Aprendi a lição. Nas semanas seguintes, passei a usar message.fyi exclusivamente com links que enviávamos por canais offline: bilhetes entregues em mãos, ou então através de um serviço de mensagens criptografado de código aberto (como o Signal) para transmitir APENAS o link, mas a senha ia por outro meio — às vezes um código visual num quadro branco apagado após a reunião. Melhor ainda: comecei a usar a opção "uma só visualização" sem senha, mas com o link transmitido por uma chamada de voz curta (tomando cuidado para não estar perto de dispositivos espiões). A pessoa anotava o link em um papel e o digitava manualmente no navegador. Assim, mesmo que alguém tivesse grampeado minha linha telefônica, só ouviria uma sequência de letras e números solta — não saberia o que era.
Em setembro de 2024, consegui enviar com sucesso um depoimento explosivo de um ex-funcionário da madeireira para um comitê da ONU em Genebra. Usei message.fyi com validade de 15 minutos, senha compartilhada por uma videochamada criptografada (com fundo falso e com cuidado para não mostrar meu rosto). O representante da ONU abriu o link, leu o texto testemunhal, e imediatamente o conteúdo deixou de existir. Depois, quando o governo brasileiro solicitou, via MLAT, todos os registros de comunicação entre mim e a ONU, não havia nada para entregar. Nem a empresa message.fyi tinha logs. O Brasil ameaçou processar o serviço por "obstrução à justiça", mas tecnicamente não podiam fazer nada porque a lei brasileira exige que as empresas mantenham registros por prazo mínimo — mas message.fyi não armazena nada, e opera sob jurisdição de um país com leis rígidas de privacidade. O caso ganhou notoriedade entre ativistas.
Hoje, message.fyi é uma ferramenta padrão na minha "caixa de ferramentas de segurança digital". Não é a única — uso também discos rígidos criptografados, sistemas operacionais ao vivo (boot por USB) e redes Tor. Mas para comunicações rápidas, de uma só vez, que precisam sumir como fumaça, é imbatível. Custa zero reais, não precisa baixar nada, funciona até em um navegador de um cybercafé. Claro, tem limitações: se o computador do destinatário estiver infectado com um trojan que tira capturas de tela, a mensagem pode ser capturada. Por isso nunca uso para enviar informações que, se vazadas, matariam pessoas. Mas para provas documentais que precisam ser vistas uma única vez por um jornalista ou advogado, é perfeito.
Minha história é real. Já perdi amigos ativistas assassinados por causa de mensagens vazadas do WhatsApp. Não vou deixar que isso aconteça comigo ou com as comunidades que defendo. message.fyi me deu uma camada extra de anonimato e segurança. Se você é ativista, jornalista, advogado ou qualquer pessoa sob risco de vigilância, experimente. Mas lembre-se: a ferramenta sozinha não basta. Combine com boas práticas: senhas fortes, canais separados para link e senha, validade curta, e nunca confie em dispositivos que podem estar comprometidos. A luta por direitos humanos também é uma luta técnica. E nessa luta, message.fyi é uma aliada silenciosa e mortalmente eficaz.
— Renata S. (nome fictício para proteção de sua atuação)
Como uma ativista social protegeu suas mensagens privadas usando message.fyi
Uma ativista brasileira relata como message.fyi impediu que suas comunicações fossem interceptadas por agentes estatais durante uma investigação de violação de direitos.